quarta-feira, novembro 23, 2011


Une petit chanson

Diria que ela vai tecendo um bordado de amor com as linhas mais nobres que a vida lhe oferece. Vai esvaziando os bolsos a cada esquina durante o caminhar, porque o que mais lhe interessa nessa vida cabe dentro do coração, de um abraço apertado ou num soriso sincero.

E dentro do seu músculo escarlate batedor cabe um punhado de alegria que é pra combater a maldade e as pessoas de mau coração.

Fecha os olhos e respira fundo. Conta até três. Rouba umas estrelas do céu.

Assopra o dente de leão, os sonhos, o pozinho de pirilimpimpim e todo bom humor, que é pra ver se alguma chega até o desanimado do canto.

Salta as pedras do caminho e constrói pontes onde há abismos, dança um ritmo novo, a cada dificuldade um riso e um brilho mais forte no olhar. Assim tem mais graça. Dá mais coro. Dá o tom.

Desamarra as botas. E o peso das costas.

Mas ela se protege da fábula do lobo e do cordeiro e dos lobos em pele de cordeiro. Inevitável. Nem todo mundo vive une petit chanson.

Faz o sinal da cruz, acende uma vela ao anjo da guarda, reza um pai-nosso e uma ave-maria. Não grita ao sete ventos sua felicidade, ao contrario, fala baixinho, soa mansinho, dá um sorissinho que é pra o mau olhado não olhar.


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